A Invasão, De Novo!
Assisti o filme Invasores (dir. Oliver Hirschbiegel – 2007) que estreou na sexta-feira passada. Apesar de já ter visto as 3 primeiras versões da mesma estória, dei uma chance para ele.
Bom, para não falar tão mal de um filme que provavelmente esquecerei daqui um mês, tal qual aconteceu com a versão anterior (Os Invasores de Corpos – dir. Abel Ferrara – 1993), vou escrever sobre as duas primeiras versões.
A primeira, e é a que tem o título mais interessante, é o Vampiro de Almas (dir. Don Siegel – 1956). A estória é quase a mesma: as pessoas começam a reclamar ao médico Miles Bennel que seus familiares e amigos são outras pessoas, ainda que tenham a mesma aparência. O que se apresenta como uma simples reclamação pessoal decorre uma pandemia e a posterior constatação de que as pessoas estão sendo substituídas por alienígenas enquanto dormem. Aqui, o ritmo é frenético e nervoso e se mostra bem construído. Em meio à invasão, quando não vemos saída, surge um final alentador. O pano de fundo dessa idéia era a ameaça comunista que rondava os EUA durante o Macartismo na década de 1950.
Na segunda versão, Os Invasores de Corpos (dir. Philip Kaufman – 1978), repete a mesma trama, mostrando um pouco mais como a substituição das pessoas acontece, que, do mesmo modo, ocorre durante o sono. Nesta versão, temos atores bastante conhecidos como o Leonard Nimoy, Donald Sutherland e Jeff Goldblum. O clima tenso aqui é constante e nesta versão, o final é bastante pessimista. Talvez o auge Guerra Fria e a ameaça nuclear tenham influenciado de alguma forma.
As versões subsequentes, do meu ponto de vista, perderam força justamente por terem sido feitas depois que a motivação seminal sumiu. A URSS desmoronou em 1991, e com ela a Guerra Fria. A pauta de hoje é o terrorismo e nos Invasores (2007) nem se tocou no assunto. Aliás, a idéia que se tem ali en passant é que para resolvermos os problemas humanos, devemos deixar de ser humanos.
Se é para falar uma besteira dessas, prefiro assistir a invasão dos Borgs onde qualquer resistência é fútil, tal qual o é no capitalismo onde nos transformamos em máquinas de consumo para o funcionamento do sistema e onde para ser o diferente temos que ser iguais.
Enfim, foi uma decepção total. Invasores não conseguiu ser um filme de ação, nem de suspense, nem de ficção-científica. E o pior, nem a Nicole Kidman e o Daniel Craig conseguem se salvar (do filme, não da invasão…). ![]()
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Norberto!
Não sei acontece com você, mas comigo, sinto saudades dos tempos em que via um filme e curtia apenas sua superfície.
Depois que a gente fica sabendo que é Arte, que filmes são veículos para mensagens e propostas, o espírito crítico assume o lugar do mero espectador.
Para mim, foi ótimo enquanto me limitava apenas em torcer pelos mocinhos. Sério!
Não consigo mais ver um filme sem ficar atento à falhas de continuidade, falas dirigidas a um momento político ou social, comportamento de figurantes, etcétera, etecétera.
Gostar de cinema, é meio que paranóico.
Sérgio,
eu ainda consigo quando o filme tem alguma estória para contar. E não é esse lance de ser Arte ou Entretenimento. Principalmente porque esse Invasores nem diversão conseguiu ser dada a quantidade de clichês e um final completamente lixo.
Olhando a sinopse posteriormente, vi que não poderia ter sido de outra forma. Houve troca de diretor e um remendo adoidado… como poderia ter saído coisa que preste?
abraço