Nostalgia do que não se viveu
Estava lendo o livro O Clube do Filme , onde um crítico de cinema tenta educar seu filho de 16 anos através de filmes. Num dos capítulos eles assistem alguns episódios da série Os Waltons :
Para concluir, alugamos alguns episódios do seriado de televisão Os Waltons (1972-81). Eu queria que Jesse ouvisse aqueles monólogos que vinham no final de cada episódio, com o narrador fazendo um balanço das coisas em tom memorialistico, de uma perspectiva adulta. Por que aquilo era tão eficaz?, perguntei a ele.
- Ahn?
- Como eles conseguem fazer a gente se sentir nostálgico em relação a algo que nunca viveu?
- Pai, eu não sei do que você está falando.
Que é exatamente o que a série Anos Incríveis (1989-93) faz com os anos 60. O que me fez lembrar de dois trechos do livro A descoberta do mundo de Clarice Lispector:
Teus olhos verdes são maiores que o mar.
Se um dia eu fosse tão forte quanto você
eu te desprezaria e viveria no espaço.
Ou talvez então eu te amasse.
Ai! que saudades me dá da vida que nunca tive!
O trecho acima é uma citação do Tom Jobim…
Lembrar-se do que não existiu
Escrever é tantas vezes lembrar-se do que nunca existiu. Como conseguirei saber do que ao menos sei? assim: como se me lembrasse. Com um esforço de memória, como se eu nunca tivesse nascido. Nunca nasci, nunca vivi: mas eu me lembro, e a lembrança é em carne viva.
E isso tudo me fez lembrar de duas canções que ao mesmo tempo que falam de coisas diferentes, falam da mesma coisa. E também trazem essa nostalgia:
Então. Como a gente se sente nostálgico a algo que nunca se viveu?
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Norberto, essa postagem é um achado. Arriscando uma resposta, eu acredito que isso acontece por passados serem análogos sem precisarem ser, necessariamente, semelhantes.
E, note, em ambos os casos, as duas séries citadas na postagem, existem em comum a figura do narrador em off em voz adulta, contrastante, passando a perspecitiva adulta.
No filme Cine Paradiso, esse, ajudado pelo enredo mais propício às semelhanças, a sensação é a mesma.
O elemento chave que provoca essa sensação de nostalgia, está na voz em off.
Estou tentando encontrar a palavra que explica porque um pensamento se torna universal, mesmo que pessoas criadas de formas diferentes em espaços diferentes passam a ter a sincronia das mesmas idéias. Quando encontrar te falo!
Estar sensível a fatos mesmo que não passemos por ele, assim como quando assistimos um filme, denota sensibilidade. Só sentimos saudades de coisas alegres e porque dizem que a nostalgia é uma saudade tristonha?
Vou deixar um link que acho vai gostar
http://blog.iampaddy.com/2008/11/12/web-20rigami/
Boa semana! Beijus
Aff! Tentei comentar várias vezes e a demora em postar me fez comentar em cima. Considere apenas o último comentário, please! Beijus